Encontrar meu amor é quase um sofrimento. Só não é de fato sofrimento porque a alegria não me deixa perceber.
É assim.
Eu a vejo e fico zonzo, de tanta saudade que eu sentia. E no terceiro segundo já percebo que sentia saudades que eu não sabia.
Por exemplo.
Eu não sabia que sentia saudades do jeito que ela abre o portão, de como ela solta a minha mão na frente do pai, de quando ela desvia meus beijos. E de outras coisas que eu não sei agora e só vou perceber quando a encontrar.
Porque toda saudade que sinto não é toda saudade que percebo que sinto.
É sempre um sofrimento de dois dias. O sofrimento de tirar a força todas as saudades. Como o cocô tem o cu e saudade não tem seu próprio membro de escape?
Eu vou tirando a saudade e jogando tudo em um canto, no quarto do meu amor. Aí, quando vou embora - eu sempre vou depressa - jogo tudo dentro de mim de novo. Coisas que só percebo na hora de tirar, na semana seguinte.
quarta-feira, 30 de julho de 2008
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