terça-feira, 10 de junho de 2008

Um amor sem vesícula

Quero inventar uma prece que converta todas as preces numa só, na minha prece.

No começo, os índios ficariam bravos. Eles precisavam tanto da chuva, e eu roubei a dança deles a meu favor. O padre que passou a vida toda sem comer ninguém, também ia ficar puto. "Não comi ninguém e ele roubou a minha prece!"

- Roubei, seu padre.

Mas você vai entender depois. Não é uma prece para grandes revoluções, grandes chuvas ou grandes tsunamis.

É uma prece que dê o efeito de um carinho. De um grande carinho. Do carinho que eu daria no meu amor se estivesse presente naquele quartinho de hospital que deve estar escuro a essa hora.

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