Meu amor chegou aos 30 anos.
Quando a conheci, ela tinha 27. E eu achava essa idade tão linda!
27! E eu tinha, fala baixinho:
- 19.
Ela dizia brincando que era para eu esperar fazer 21, que era muito novo, coisa e tal! Novo, eu sou até hoje. Mas ela gosta de mim, fazer o quê?
Porque sou maduro e imbecil, criança e adulto, cretino e lindo, bruto e fofo, delicado e nojento. E é assim que ela gosta de mim.
Uma vez eu disse pra ela, e acho que é verdade. Que se eu e ela tivéssemos a minha idade, ela me acharia infantil!
Acontece que somos muito simples. E conseguimos ser exatamente o que somos. O que somos sem idade, nem nada. Só o que somos.
Mas ela fez 30.
Trinta anos em vinte e três de novembro de 2008.
Era preciso um presente a altura, poxa vida.
Eu adoro dar presentes ao meu amor. Volta e meia dou um presentinho pra ela.
Aconteceu, porém, que bem no aniversário eu não sabia o que dar! Foi então que eu entrei na Imaginarium e comprei para ela um bulldog cofrinho. Sem olhos.
Eu tinha certeza que ela iria amar, já que adoramos bulldog.
Era para entregar no dia 23, domingo, mas como era feriado, estávamos juntos já na quarta-feira. Quando ela viu que era da Imaginarium, já torceu o narizinho lindo.
E quando viu o bulldog, não acreditou.
Ela odiou o presente, e disse que era para eu trazer de volta.
Foi a coisa mais linda.
Era dia de jogo do Brasil no estádio Bezerrão. E esse virou o nome dele:
- Bezerrão.
Eu não trouxe de volta, e ela já se apegou ao cachorrinho que não serve para nada. Só para vigiar a porta.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
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