Porque eu vou ver meu amor, todo sábado de noite eu passo super bonder em mim antes de sair de casa. Tomo cuidado para não encostar em ninguém no caminho, e quando meu benzinho chega, dou-lhe logo um graaaaaaaaaande abraço.
A gente se gruda e fica assim até o final de domingo.
E na hora de ir embora?
É assim. Meu amor entra no ônibus, e quando ele arranca, a gente desgruda a força. É sangue pra todo lado, é pele pra todo lado, é pêlo pra todo lado. Se isso dói? Dói. A gente fica sngrando tanto, fica sem pele. Dói, sim. Mas a única dor que a gente sente é a de estar longe. A de olhar pra frente e não se ver, de respirar e não sentir.
Se a gente não fosse se ver nunca mais, a gente morreria pelo sangue derramado. Mas a gente se cuida, porque no sábado que vem acontece tudo a mesma coisa.
Aí, com a pele dolorida, toda machucada do desgrude, eu passo super bonder todo feliz. Porque a gente vai se grudar, e eu nem me lembro que no dia seguinte vai doer mais do que na outra vez.
Postado por André Ursípedes
terça-feira, 13 de maio de 2008
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Um comentário:
QUE LINDO. Me encontrei aqui.
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