terça-feira, 13 de maio de 2008

Super bonder

Porque eu vou ver meu amor, todo sábado de noite eu passo super bonder em mim antes de sair de casa. Tomo cuidado para não encostar em ninguém no caminho, e quando meu benzinho chega, dou-lhe logo um graaaaaaaaaande abraço.

A gente se gruda e fica assim até o final de domingo.

E na hora de ir embora?

É assim. Meu amor entra no ônibus, e quando ele arranca, a gente desgruda a força. É sangue pra todo lado, é pele pra todo lado, é pêlo pra todo lado. Se isso dói? Dói. A gente fica sngrando tanto, fica sem pele. Dói, sim. Mas a única dor que a gente sente é a de estar longe. A de olhar pra frente e não se ver, de respirar e não sentir.

Se a gente não fosse se ver nunca mais, a gente morreria pelo sangue derramado. Mas a gente se cuida, porque no sábado que vem acontece tudo a mesma coisa.

Aí, com a pele dolorida, toda machucada do desgrude, eu passo super bonder todo feliz. Porque a gente vai se grudar, e eu nem me lembro que no dia seguinte vai doer mais do que na outra vez.

Postado por André Ursípedes

Um comentário:

Anônimo disse...

QUE LINDO. Me encontrei aqui.